Não, não vou sentir falta
de estar só na ribalta
de usar essa triste máscara
do sorriso sempre impassível
de estar em plena evidência.
Lutei com muita coragem
mas a dor me foi tão forte
que fui atravessada pelo acaso
frutos de erros e acertos
que me sangrou quase à morte.
E naqueles olhares curiosos
de quem me olhava atentamente
vi tanta e cruel ansiedade
vi negro desejo reprimido
vi ânsia por sacrifício
vi sadismo e vi compaixão.
E enquanto eu agonizava
e perto do clímax me sentia
percebi que nunca estive só
e vi amor e vi solidão
vi empatia e intensa doçura
vi que sempre fui aceita
vi que nada foi em vão.
E então pude desatarrachar
a máscara que já me sufocava
e me cegava para tudo
que ainda estaria por vir
porque é fácil crer no pior
ao invés de se crer em si mesmo
é mais fácil se entregar
quando ainda se pode combater
mas para isso é preciso negar
a beleza de um encontro assim
perder a riqueza da travessia
a bênção da ruptura e a epifania.
E hoje, livre dos grilhões
que me aprisionaram a alma
e me detiveram sobre o palco
onde encenei e senti tanta dor
me sinto subitamente inteira
sei que não mais haverá amarras
sei que nada mais me atingirá
sei que agora estou forte e só.
Sei que meu longo espetáculo
chegou de vez ao final
estou finalmente às escuras
e o que me traz libertação
é essa consciência plena e livre
de não ter o menor poder
sobre as mentes da multidão
e então saio do palco renovada
deixando para trás de mim apenas
o sangue derramado na arena.
by dani weber 2007
quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário